quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Preparação Consciente para Gestação e Parto


A gravidez é um momento de profunda alteração no estado físico, psíquico e emocional da mulher.
A preparação consciente na gestação e parto tem por finalidade levar a mulher a conhecer e compreender seu próprio corpo, a fim de minimizar  impactos e estranhezas perante todas alterações naturais do ciclo gestacional.

Aproximar-se do corpo é aprender também a respeitar os próprios limites, é dar voz a uma sabedoria inata que todos nós temos, basta resgatá-la, ativando a intuição e o instinto.

O trabalho corporal devolve a percepção e a sensibilidade, características naturais e essenciais que vão ficando esquecidas no nosso cotidiano acelerado.
Exercícios de respiração, relaxamento e posturas que favorecem o fluxo de energia, tonificam, promovem disposição e melhoram a circulação.

A preparação psíquica intenciona trocar informações necessárias sobre a gestação, parto, aleitamento, a fim de que o casal assuma sua responsabilidade pela qualidade da gestação.
Leitura de livros, vídeos, aproximam o casal do universo ao qual eles pertencem neste momento.


Do ponto de vista emocional, a mulher está num crescente de sensibilidade devido a oscilações hormonais, mudanças de vida, hábitos, comportamentos, planos e perspectivas.
E justamente por toda essa revolução interna que  a gravidez provoca, este é  um momento propício  ao auto conhecimento.

Na gestação ocorre uma regressão natural, e ela é bem vinda.
Imagens da nossa infância podem vir a tona, sonhos com elementos infantis, sonho com o bebê, sonho com o parto, problemas de relacionamento com os pais, entre o casal....são temas que surgem e tornam oportuno o "ir fundo"nas questões.

A parteira com a qual eu trabalho costuma dizer que, antes de parir um bebê, todas as emoções contidas precisam ser paridas.
E esse parto natural acontece!

Por isso a importância de um acompanhamento neste momento, porque não precisamos atravessar sozinhas. Estar amparada permite resgates mais inteiros, e  altera todo o cotidiano familiar

Além do físico, do mental e do emocional, existe o plano sutil que envolve gerar uma vida.
A esse plano sutil gosto de chamar de espiritual, porque o espírito é o que anima, é o sopro da vida.

Não possui relação com crença ou religião.
O aspecto espiritual refere-se `a entrega e confiança aos mistérios da vida.
Nutrir o lado espiritual é se alimentar de confiança e proteção para enfrentar o medo do parto, o medo do desconhecido, o medo da vida.














quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Deusa Baubo


Há uma expressão muito forte que diz: Dice entre las piernas.

Baubo é esta Deusa da Grécia antiga, que traz consigo o arquétipo da sexualidade sagrada e da fertilidade. Na verdade, ela é mais que isso!
Ela representa uma espécie de sensibilidade e expressão única e exclusiva!

Baubo é aquela que acende a chama do interesse da mulher pela vida, e a mantém.
Representada por um corpo robusto, sua boca é uma vulva e seus olhos, seus mamilos.

E qual a mensagem que esta Deusa despudorada quer passar para as mulheres?
Ela quer levar alegria, vida sensual e criativa por onde passa.
Ela desperta o riso que vem de dentro, aquele riso que te faz respirar de verdade porque tem a capacidade de soltar o que estava preso.

Baubo devolve ao corpo uma espécie de humor que mantém desobstruída as passagens, porque desperta uma qualidade sensorial.
Mulheres que se sentem a vontade consigo mesmas revelam verdades próprias que impulsionam o riso coletivo por identificação.
Todas se reconhecem e compartilham.
É a força coletiva, a força do bando!

É um riso obsceno, porque é livre, é vicejante, é maduro e é necessário!
É o riso que salva, que desafoga, que recupera!

O sagrado riso do ventre traz fertilidade e vitalidade.
Baubo nos apresenta a sábia anciã, lá que sabe.
Ela é engraçada, desmedida, corajosa, verdadeira e sobrevivente!

Por isso as piadas viscerais e os gestos obscenos de Baubo são curativos!
Eles curam a alma, e o corpo, e tudo que está em volta!
Sua força maior é que tudo isso deve surgir  meio a um desastre, conflito, loucura, ou qualquer outra situação difícil, ou de transição.

Baubo recupera do fundo do poço, quando não há mais esperança!
Baubo chega, aparece ao acaso, de passagem....e tudo aquilo morto que foi derrubado cresce de novo, com o primeiro riso!
Ela devolve o cio, o gozo.
Baubo te dá a mão e atravessa! Ela é o talismã da entrega!
Baubo dá passagem e a vida segue em frente, mais leve e mais firme, mais solta, com humor e sabedoria de quem já mergulhou o suficiente.






quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Erotismo e o Cheiro - HUMANO



Odoratus Sexualis foi um catálogo científico e cultural escrito em 1934, no Egito, sobre aromas sexuais, perfumes eróticos e o cheiro do corpo humano.

Na literatura antiga tem-se registro em quase todas as línguas do uso do odor corporal como afrodisíaco. 
Peças de roupas impregnadas de suor eram secretamente colocadas próximas ao parceiro sexual desejado. O odor do suor era tido como um elixir, uma poção mágica.
Napoleão enviou uma famosa mensagem a Josephine: “ Chegarei a Paris amanhã a noite. Não se lave.”

Os gregos eram fascinados pela pantera, julgavam seu hálito doce e seu odor corporal atraente.
Na época de Shakespeare, a mulher apaixonada colocava uma maçã descascada na axila para impregná-la com seu aroma, e oferecia ao seu amado como símbolo de desejo.

Prospero Albini foi um médico renascentista que residiu no Egito para estudar medicina. 
Ele descreveu como as mulheres egípcias untavam suas vulvas com âmbar e  algáliz para aumentar o prazer sexual, e enfatizou como essas mulheres davam atenção exclusiva às partes íntimas, diferentes das mulheres italianas, que se ocupavam ao cuidado especial do rosto e cabelo.

Os hindus também se preocupavam com o odor da genitália feminina, e desenvolveram um critério classificatório para os diferentes tipos de odores:

-A que cheira a lótus; seu odor é comparado à flor da rosa d’água, com seu sagrado mistério
-A feliz; que apresenta odor igual ao mel da seiva da palmeira
-O tipo lema; que apresenta cheiro e gosto salgado, com pelos negros e espessos.
-O tipo elefante; com corpo grande, vulva larga, odor penetrante, comparado ao odor do fluído que se solta do ouvido do elefante

Baudelaire foi um poeta audacioso ao escrever sobre o aroma erótico, lembrando o mundo que as mulheres, e homens, cheiram!
Ele festejou o aroma exalado pelo corpo humano enquanto elemento fundamental da excitação olfativa.  Chamou de “pelo almiscarado” o aroma sedutor da genitália feminina. 
O almíscar são grãos extraídos de uma bolsa localizada no abdome do cervo de almíscar, que vive nas regiões de floresta do Himalaia e dos montes Atlas. Tem um aroma característico, afrodisíaco e lendário.  almíscar
A imperatriz Josefina adorava, e seu quarto de vestir era impregnado deste cheiro.

Havelock Ellis, médico e psicólogo britânico, estudou a sexualidade humana e criou uma classificação de odores erógenos em ordem crescente.

I – o odor da pele, tido como uma fragrância fraca
II- o cheiro do cabelo e couro cabeludo
III- o odor do hálito
IV- odor das axilas
V- odor do pé
VI- odor perineal
VII- nos homens, o odor do espegma do prepúcio
VIII- nas mulheres, o odor da vulva, do muco vaginal e odor menstrual
Ressaltando sua predileção escandalosa pelos dois últimos cheiros.

O erotismo, como o próprio aroma que constitui um perfume, é construído. E o perfume verdadeiramente afrodisíaco é aquele que deflagra uma memória inconsciente de nossa natureza animal, exaltada!

Referência : Mandy Aftel - Essências e Alquimia-






  



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Notas de Deslocamento ou Variação de Odores

Viajar para captar o odor de novas paisagens, pra mudar a fragrância da alma e poder mergulhar no cheiro da estação.

Sinônimo de mar: verão
movimento
amplo horizonte
e extensão sem limite

A expressão do corpo desnudo se expande em contato
A partida é o início da jornada do herói viajante, que salta de seu microcosmo doméstico em direção ao triunfo

A conquista é deambular as fronteiras de si, ultrapassar e vencer de forma válida e humana
Cruzar limiares de si mesmo conta com a  força do desconhecido.
Os incidentes são fantásticos professores da fé, da entrega e da confiança

O planeta, transeunte, é aquele que não te desampara e jamais te deixa sem colo.

Viajar assim é viagem: transitória, transitiva, impermanente
Ser outro constantemente
arquiteto de si mesmo, com estética e proporção preservada pra constituição do mundo interno. Digno e  elegante, como o mundo deve ser
Ser a beleza que se quer ver no mundo

No fim de um trajeto
Voltar ao centro, o coração
Se colocar pequeno e  grande em gratidão
Se reconhecer grão de areia
e assim renascer!



Texto: ~*~ Consultório de Afrodite ~*~
Imagem: arquivo pessoal




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dano Divino


....Há relatos de que caçadores Umedas, na Nova Guiné, dormiam com um punhado de ervas sob o travesseiro para inspirar sonhos sobre caçadas bem sucedidas. 

Os Berbers, do Marrocos, eram conhecidos por inalar a fumaça perfumada de poejo, tomilho, alecrim e louro para curar dores de cabeça e febre. 

Eles acreditavam que cheirando uma flor de narciso poderiam proteger-se, e que os espíritos malignos poderiam ser expulsos do corpo pelo perfume de benjoim queimado misturado a arruda, consumidos em chamas aromáticas.

Xamãs de regiões montanhosas fazem encantamentos sobre folhas de gengibre, que dizem transmitir sedução ao homem que as esfrega em seu corpo.

Na Amazônia, índios ianomâmis carregam saches de pós aromáticos para fazer com que mulheres atraentes se joguem em seus braços.

Não somos diferentes dos povos que acreditam que cheiros e fragrâncias interferem em nossas vidas!
Os odores pertencem ao mundo metafísico. 
É o sentido da imaginação, e da emoção!
Penetra na memória mas permanece invisível, etéreo, intangível!

As essências aromáticas possuem personalidade!
Algumas difíceis, túrgidas, rígidas! Outras dóceis, maleáveis e versáteis.
Muitas atraentes, chamativas, mas sem profundidade!
....Quentes, penetrantes, tenazes, pungentes.....

Um aroma
Uma presença
Um princípio que se doa
Uma emanação da pele
Uma linguagem sutil
Um dano Divino, uma embriaguez, um estado alterado....
Uma coisa secreta, que não se pode saber, a não ser por experiência! 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Feminilidades





Meu encontro com a lucidez e com meu  senso de presença e pertencimento no mundo  é através da  escrita

Quando cavo por baixo dos escombros auto demolidos e encontro uma passagem de ar para o fluxo criativo.

Porque as coisas desse mundo não bastam. Elas se consomem.

Só posso reconhecer que a fonte do prazer que devolve a significância humana é criar com as próprias mãos!

Aprendi com os mitos e com os contos de fada a ter asas emotivas (que me movem nessa direção)

Aprendi com a Vasalisa a eterna busca dançante da auto-nomia ( a capacidade de me atribuir meus próprios nomes)

Porque minha parte que se auto organiza, se solidifica e reconhece identidade é através das  tecituras  humanas.

Reconcilio minhas partes escrevendo, dando as mãos, abraçando e interligando  vogais com consoantes.

Essa é minha parte linear e segura.  É solar, tem clareza e dá sentido.

Já a minha voz é lunar, cíclica e não decifra indagações. 

Minha voz coloca poder em legitimar o silêncio e ouvir por trás da palavra dita. 

Meu ouvido insiste nisso, nas ações silenciosas, porque minha psicologia foi desde o início a dos gestos que a palavra esconde.

Ausência, geografia emocional e afeto não são da ordem da razão!

E ainda assim é a faceta que me constrói e minha dimensão de maturidade.

Aprendi com a Deusa Hera a me colocar de forma harmônica e pacífica, exercendo habilidades ultrapassadas e preservando valores e tradições!

 Me curvei diante de sua imagem austera  e a ela disse: te aceito e aprendo contigo, você é  maior, respeitosa esposa de Zeus!

Na adolescência queria ser Ártemis, independente e selvagem, desbravadora e solitária.
 Esses eram os nortes que me preenchiam. 

A possibilidade de ser sozinha na vida me fazia muito sentido e ressoava como um lema a defender e praticar.

A maternidade me apresentou Deméter, a  sacerdotisa! Independência integrada e amadurecida, bem diferente de Ártemis de cabelo aos ventos!

Fui pra debaixo da terra fazer sulcos e rachaduras, pra poder voltar vicejante como a maga Perséfone.

Descobri a magia e a alquimia do ou(t)RO, analogia de significância pra poder mergulhar nos mistérios de Afrodite. 

Seu olhar panorâmico possibilita o distanciamento necessário pra poder fazer relações!

Nasci de Atena e assimilar o papel da conquista, do fazer e o motivo da justiça não foi desafio pra mim!

Essas são, então, as mulheres de minha vida. Me reconcilio com todas que me disponibilizam nutrição para minha essência feminina!

Com elas faço resgates  e construções, me fortaleço na minha ancestralidade, dou continuidade nos bordados já começados, nas linhas já traçadas, nos pontos , nós, nas tramas que não foram resolvidas!

 Dou caminho e  passagem pra donzela percorrer seu trajeto de mulher fértil a anciã sábia. La que sabe!
Observo e registro meu processo de crescimento através da influência das minhas mulheres!

Não ao acaso fui inserida no contexto das rodas!
 Me criei dessa forma, nesse espaço  circular sagrado de encontro e revelação . 
As experiências circulares foram dando significado e me imbuindo de propósito de cura.

O amor cria a conexão, a verdade liberta e cria espaço para ser! 
Resgates e reconstruções são cíclicas, circulares e se validam na partilha.

Para sustentar e ancorar meu trabalho com mulheres ativo meu coração, aqueço meu útero, ouço sem fazer ruído, me envolvo pelo tecido humano maleável e flexível, e escrevo!

Trabalhar com mulheres é tecer a trama, tricotar fios de estórias achadas. É ser a moça tecelã, dois avanços e um recuo. 

É se inserir no tempo de Kairós, o que os gregos chamam de tempo oportuno, o momento certo, o tempo de Deus!

Tempo matrístico! Pacífico e próspero! A cooperação e a proteção como única forma de sobrevivência.
O fazer como verdadeira forma de ser

O registro como grafia pra memória reter o  avanço do caminho sinuoso, irregular,com obstáculos, desníveis e propósito de avanço irreversível!





Texto: Cinthya Garcia
Foto: Pinterest 



sexta-feira, 24 de junho de 2016

Sobre Plantas e Saúde


O uso das planta medicinais no tratamento e prevenção de distúrbios relacionados a saúde sempre esteve presente na história da humanidade. Desde os primórdios da civilização, o uso das plantas  como recurso medicinal, ou seja, medicamentos de origem vegetal, foi muito preponderado.

Durante grande parte da história humana o uso das plantas estava associado a práticas religiosas e ritualísticas.
As civilizações antigas, como Egito, Babilônia, combinavam o poder curativo das plantas com passes de magia.
 Invocavam os espíritos que tinham a missão de expulsar o "verme" causador da dor de dente, por exemplo.

E assim a história da medicina foi sendo construída e levada adiante.
Através da busca da cura através das plantas e orações.
 Provavelmente, o primeiro tratado da história da medicina é o Papiro Egípcio.
 Fragmentos de papiros médicos contendo instruções e receitas de como preparar vários medicamentos a partir de plantas medicinais  datam cerca de 2400 A.C.
Os Egípcios já utilizavam as plantas medicinais e aromáticas na arte da cura.
Os gregos também se destacam no uso das plantas como recursos medicamentos, curativos. O pai da medicina, Hipócrates, empregava drogas de origem vegetal no trato de seus pacientes. Teofrasto e Plínio, o velho,  catalogaram uma imensa variedade de plantas, contribuindo para o conhecimento da propriedades terapêuticas dos vegetais, e dissociando a medicina das práticas de cura orientadas unicamente pela religiosidade.


No Brasil, o uso das plantas com fins terapêuticos e no trato de doenças é anterior ao início da colonização. Sem dúvida, herdamos influências da cultura indígena, africana e européia.
Os índios usavam a medicina da planta dentro de uma visão mística, na qual o pajé ou feiticeiro da tribo utilizava plantas alucinógenas para sonhar com o espírito guia, que lhe orientava através de mirações o procedimento ou erva que seria empregado na cura do enfermo.
Entre os negros, quando alguém adoecia significava que este estava possuído por mal espírito, e o curandeiro se incumbia de expulsar com o auxílio de uma planta.
O guiné, o melão de são caetano, foram trazidos pelos africanos para este fim.

A influência européia começou com achegada dos jesuítas que trouxeram plantas como a camomila, a malva, a melissa, o funcho, o alecrim, o dente de leão. A maioria das plantas medicinais de origem européia foi bem adaptada e se reproduz espontaneamente no Brasil por esse motivo.
Até os anos de 1928 o ser humano não concebia como fonte de tratamento qualquer coisa que não fosse de origem vegetal ou animal. A não ser no século XX, toda a história da medicina encontra-se intimamente atrelada às plantas medicinais.

E, que bom, que o retorno às raizes da saúde, a sua base fundamental, está cada vez mais em vigor.
No Brasil, hoje, existem diversas instituições com objetivo de realizar trabalhos com plantas medicinais, acreditando ser este um método vantajoso na busca da saúde. Muitos municípios brasileiros já incorporam o uso de plantas medicinais em Serviços Públicos de Saúde.
Estamos assistindo uma retomada e valorização do saber tradicional, valorizando o caráter científico na identificação de suas ações terapêuticas, e intencionando não apenas equilibrar doenças, mas restituir o ser humano a uma vida mais natural, e por consequência, mais saudável.
Saúde e natureza andam de mãos dadas.


Texto: ~*~ Consultório de Afrodite ~*~

Referência:
Folhas de Chá. Plantas Medicinais na Terapêutica Humana.
Fitoterapia. Abordagem Clínica